O PALAIS DE GLACE, lugar protagonista da história do tango no século passado, vai reviver seus dias de glória nesta sexta-feira, 11 de julho, com um super milonga em homenagem ao centenário do bandoneonista Aníbal Troilo.

Serão duas orquestras ao vivo, de estilos bem diferentes - o QUINTETO REAL e a ORQUESTRA TÍPICA FERNANDEZ FIERRO – além de exibições de baile da duplas Julio Duplaá e Elsa Quattrocch, e Juan Fosatti e Gimena Aramburu. A musicalização da milonga é do DJ Carlos Amaya. Imperdível para quem está na cidade neste fim de semana. E o que é melhor: de graça!

Neste espaço também será exibida uma coleção de bandoneons, que sintetizará a história e a evolução do instrumento. Um deles é o bandoneón Fischer, o primeiro a ser produzido na Argentina, apresentado em 2013 e já aprovado pelos intérpretes. Uma mostra de fotos vai contar a história de Troilo.

HISTORIA DO PALAIS DE GLACE

[caption id="attachment_4656" align="alignnone" width="458"]Foto Histórica do Palais de Glace Foto Histórica do Palais de Glace / Fonte[/caption]

Atualmente este lugar não tem nada a ver com tango, mas vale uma visita por seu passado.  Entrou para a história tangueira da cidade por dois motivos. Foi o primeiro lugar a sediar uma noite de 2x4 para a “alta sociedade” e foi onde Carlos Gardel levou um tiro. Vamos por partes.

[caption id="attachment_4658" align="alignnone" width="640"]Interior do Palais de Glace na Recoleta Interior do Palais de Glace na Recoleta / Fonte[/caption]

O Palais de Glace, na Recoleta, começou como um clube social com pista de patinação no gelo e foi inaugurado em 1910 para celebrar o centenário da Argentina. O lugar era muito sofisticado, com um salão circular de 21 metros de diâmetro, cúpula que deixava passar a luz natural, palcos para tertúlias e confeitaria no primeiro piso. Mas logo foi transformado em salão de baile.

O pontapé foi a realização, em 1912, do primeiro baile de tango para a burguesia portenha. O encontro foi organizado pelo barão Antonio De Marchi, um italiano bon vivant, com orquestra no comando de Genaro Espósito e demonstrações de dança do bailarino Enrique Saborido. Um super feito a época.

Em 1915 o edifício foi transformado em um elegante lugar de baile com piso de madeira, por onde passaram grandes orquestras como as de Francisco Canaro e Roberto Firpo.

Outro ilustre a desfilar pelos salões foi Carlos Gardel, que, embora nunca cantado por lá, recebeu um tiro no peito bem na porta do Palais na madrugada do dia 11 de dezembro de 1915, quando comemorava seu aniversário. Ao sair, se envolveu em uma briga e foi baleado a queima roupa. O projétil se alojou perto do coração e nunca foi extraído.

[caption id="attachment_4659" align="alignnone" width="640"]As melhores orquestras passaram pelo Palais de Glace As melhores orquestras passaram pelo Palais de Glace / Fonte[/caption]

Desde 1944 já era chorado em um tango, com letras e música de Enrique Cadícamo: ¡Noches del Palé de Glas! / Ilusion de llevar el compás. /Tu recuerdo es emoción /y al mirar que ya no estás /se me encoge el corazón...

Atualmente é um espaço de exposições e sede do Salão Nacional de Artes Visuais. Uma das mostras anuais mais interessantes é a dos Repórteres Fotográficos da Argentina.

Endereço: Posadas, 1725 Web: http://www.palaisdeglace.gob.ar/

Autora: Gisele Teixeira. Brasileira, jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Maria e “cidadã do mundo” como se auto descreve. Autora do blog Aqui me Quedo, vive em Buenos Aires já a cinco anos e esta terminando seus estudos no Centro Educativo del Tango de Buenos Aires. Apaixonada pelo tango, Gisele é nossa blogueira convidada para contar quinzenalmente um pouco mais do tango, suas técnicas, regras e outros segredos! Para ler outros textos de Gisele visite o Aqui me Quedo.